
2007 cedeu lugar a 2008. Confesso que andava meio cabisbaixo, fitando desoladamente a tela fria do computador. Bom seria começar o ano escrevendo sobre algo bom. Os últimos posts foram de um pessimismo tão convicto que o que eu mais precisava agora era de um texto leve e interessante que falasse sobre algo bom. Música é a primeira coisa que me vem a cabeça. Daí a minha pontada de desânimo. Há muito parece que falta algo ao cenário musical contemporâneo. Essa onda retrô pós-punk e esse “flerte fatal” com a música eletrônica, a “new rave”, tudo isso de longe soa genial mas, por um motivo ou por outro, não funciona na prática. Certamente, essa é uma forma muito pessoal de ver as coisas. Mas a internet democratizou muita coisa, destruiu mitos e gravadoras. Agora, aqueles jovens que gravam, produzem e divulgam material sem sair de seus home studios estão ocupados demais tentando recriar a sonoridade dos anos 80 e dominar o mundo. É um ambiente muito pretensioso e predatório. Vejam por exemplo o que aconteceu com a penúltima grande revelação do rock mundial dos últimos tempos? (Você ainda lembra qual foi?) As bandas tem vida útil muito curta. Passando a limpo os lançamentos deste último ano, a sensação predominante é a indiferença. Poucas coisas são de fato ruins, mas pouquíssimas são mais que regulares.

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