Barbárie e vandalismo no Egito

16 02 2011

O ser humano manchou sua história com um rastro de sangue e destruição. Foi assim, pela violência, que foram estabelecidas – direta ou indiretamente – todas as relações de poder. Fiquei completamente consternado diante da violência praticada pelos cidadãos egípcios contra a jornalista da CBS americana, Lara Logan. É o tipo de acontecimento que força a nossa consciência, faz com que exercitemos um sentimento importante, por vezes raro: a compaixão. Quem, seja filho, noivo, pai ou marido, não é capaz de se compadecer diante de tamanha covardia e brutalidade contra a mulher. Não só contra a mulher mas, de forma geral, contra pessoas fragilizadas e impotentes diante de uma horda acéfala, anônima e sem o menor vestígio de qualquer escrúpulo que possa diferenciar o homem de um demônio medieval. Não há que se culpar o povo egípcio em especial. É assustador que, em praça pública e num universo de centenas de pessoas, a intervenção tenha sido tão burocrática, morosa. Mas se fizermos um giro, uma pesquisa ao longo da história, vemos que a barbárie não é exclusividade de povos à periferia dos valores judaico-cristãos. Muito pelo contrário, as maiores atrocidades humanas foram – e são – cometidas pela elite eurocêntrica do mundo.

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Ri agora, chora depois…

7 09 2010

Há algum tempo eu evito escrever sobre política. Estou ficando velho e isso é irreversível. Tenho vontade de escrever coisas sobre a minha casa, as tantas tarefas impossíveis e comandos contraditórios que minha noiva me pede a cada cinco minutos, escreveria sobre meu cachorro se eu tivesse um. Depois de cada história eu tentaria encaixar um conceito valioso sobre a vida e o cotidiano. Assim como os velhos fazem, achando que eu realmente tenho algo de muito significativo para registrar para a posteridade. Ninguém prestaria muita atenção mas eu poderia me sentir mais confortável…confortably numb.

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Alvo da “anti-propaganda”

2 07 2010

Sempre estranhei a quantidade de negros e muçulmanos escalados na seleção francesa de futebol. A sua presença destoa em muito da representação histórica e cultural que temos do povo francês. A imagem que os livros de história nos vendem de uma França predominantemente branca e cristã nos tornou logrados pela propaganda das elites neo-liberais dessa nação. Isso nos causa estranheza ao contemplar uma seleção francesa que poderia facilmente se passar por sul-africana ou angolana. Com a eliminação prematura da Copa do Mundo de 2010, criou-se o contexto perfeito para que alguns oportunistas transformassem tudo numa questão racial. Foi nesse ensejo que um grupo de cerca de trinta torcedores invadiu a Federação Francesa de Futebol para reivindicar a exclusão de “pretos e muçulmanos” do time.

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