O amor é uma campanha publicitária

12 03 2008

 

O amor morreu. As relações humanas contemporâneas se apressam em transformar o que era sentimento em contrato social, com cláusulas muito bem definidas. Parafraseando Tom Zé, eu me pergunto aonde foi aquilo que nos inspiravam os poetas? Qual será o conceito definitivo por trás do sentimento de Éros? “Será aquele da novela das sete, ou será o da novela das oito?”. A dúvida cruel já não faz mais sentido. Nosso modo de vida hedonista nos oferece o individualismo como uma alternativa bastante viável. O egoísmo implodiu o amor.

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Adiós, Lar Doce Lar!

19 09 2007

Hoje eu acordei meio assustado. Sem romper com a letargia do meu estado imóvel, fitei atentamente as marcas no teto do meu quarto. Foi quase como se elas pudessem me dizer alguma coisa. O ventilador rodando lentamente como de costume, a luz que entrava pela janela imediatamente atrás da minha cabeceira e afagava o chão, irradiando um brilho avermelhado e intenso. Tudo previsível demais. Tal qual se dera na maioria dos dias das minhas primaveras mas recentes. De fato, tudo aquilo me passava uma mensagem bem específica: Está chegando a hora de me despedir do meu mundo! Dizer adeus a um habitat que já não é mais meu, mas que se tornou testemunha ocular de todas as transformações que se processaram em mim ao longo dos últimos três anos. Penso, ainda meio inconsciente, “não deveria ser assim tão difícil mudar de residência”.

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À Ressaca Moral

22 08 2007


Nelson Rodrigues. Talvez, ele mesmo não pudesse aplacar esse desânimo permanente.

Está cada dia mais distante o momento histórico em que o ser humano fará de seu habitat um lugar mais justo, onde o bem-estar seja algo coletivo e plural. Os velhos vícios se cristalizaram de uma forma tão estanque que já parecem parte da nossa maneira de pensar o mundo. Evoluímos rapidamente em direção a algum lugar repleto de incertezas e sem qualquer planejamento. Em suma, construímos um sistema tão complexo que nós mesmos não somos capazes de gerí-lo, muito menos de transformá-lo.

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