
Adão escolheu a costela. Talvez tenha sido egoísta demais para abrir mão de uma parte mais funcional, um pé, um braço, quem sabe? O fato é que ainda pagamos caro a conta de toda uma história em que a sociedade patriarcal e machista relegou à mulher o segundo plano, o resto, a sobra, a costela. Elas cresceram e hoje são muito mais do que mães, donas de casa e esposas recatadas. Os anos 60 vieram e com eles a catarse. As mulheres descobriram sua sexualidade, descobriram a política, novas formas de comportamento e expressão. Queimaram muito mais que uma dúzia de sutiãs e fizeram uma enorme fogueira, tão grande quanto aquela em que os cristãos queimavam suas bruxas. Atiraram nossas certezas, uma a uma, sem piedade. Nos deixaram feito bezerros desmamados, no momento em que decidiram que não queriam desempenhar o papel de nossas mães. Que não queriam ficar nos bastidores para arrumar a bagunça que criamos com nosso método unilateral e simplista de resolver nossas pendências. Ficamos órfãos. Bem para além do pecado original, serpentes e maçãs, elas nos deixaram sozinhos com nossa insuficiência de informações para entendê-las e falta de habilidade para acompanhá-las.
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