A respeito de sonhos e cigarros

10 02 2011

Então ela saiu pela porta e foi como se o tempo pudesse parar. Fazia tempo desde a última vez. Quando toda a impotência se tornava alívio, quase uma sensação de reconforto. Ele se perguntava a todo o tempo como puderam chegar até aqui. No meio do caminho, os dois se viram abandonados pelas certezas. O futuro é um ser abstrato e sempre será difícil assistir castelos e fortunas se dissiparem como a cerração das manhãs de inverno. Planos e metas, trilhas e caminhos, em algum lugar ao menos um pouco disso deveria ter sido real. Para ele fora. Decisões foram tomadas à revelia e agora era necessário conviver com a certeza incômoda, feito o gosto de cigarro da bebedeira da noite anterior. Uma verdade estava entre eles. Embora nenhum dos dois fosse capaz de mencionar, ela estava ali gritando no silêncio, para qualquer um que quisesse ouvir.

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