
Tentar traçar uma radiografia de um país tão complexo como o Brasil num filme de 85 minutos é uma idéia no mínimo pretenciosa, no máximo estúpida. O filme do jovem diretor nova-iorquino Jason Kohn sobre as relações entre corrupção, pobreza e violência no Brasil, “Manda Bala”, já criou tanta polêmica que teve sua exibição proibida nas salas de cinema nacionais. Apesar de faturar prêmios internacionais e obter uma boa visibilidade em nível mundial, o documentário não pode ser axibido aqui em virtude de um processo judicial por parte de um dos entrevistados. Tudo bem que, segundo a crítica especializada, “Manda Bala” incorre numa série de falhas éticas e simplismos descontextualizados. Mas se o mundo inteiro está assistindo e premiando um documentário que um norte-americano faz sobre o Brasil, por que nós não podemos? Só para contabilizar, o filme faturou os prêmios de melhor documentário e fotografia no Sundance 2007 e melhor direção, filme e fotografia do Cinema Eye Festival, em março de 2008. Se um dia algum “gringo” vier te perguntar sobre o filme, você vai ter que dizer que não assistiu porque não passou por aqui. Constrangedor, não é? Vão achar que a capital do Brasil é Caracas, ao invés da já tradicional Buenos Aires.
De acordo com o diretor, seu interesse em relação à realidade social brasileira veio de casa. Filho de mãe brasileira e pai argentino, Jason se interessou pelas descrições de seu pai a respeito da corrupção em nosso país. Ora, claro que o filme não pode ter dado boa coisa. Sem querer passar a mão na cabeça dos corruptos daqui, alguém por aí já viu argentino falar bem de brasileiro? Isso prova mais uma vez que o esporte favorito dos argentinos não é o futebol…
Também não vale dizer que aqui não existe corrupção. Parcialidade tem limite. Que essa vergonha sirva ao menos para incomodar a população. Brincadeiras à parte, quem merece nosso rancor não são norte-americanos ou argentinos e sim nossos políticos corruptos que além de nos roubar ainda nos fazem passar por esse papelão lá fora.
No mais, agradeçam pelo pai do cara não ser cineasta. Para quem também gostaria de saber o que andam falando por aí da’gente, algumas cenas do documentário…
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