Talk Show on Mute

5 10 2011

Hoje eu evito escrever sobre política. Estou cansado de construir conceitos e, depois de tê-los todos formulados, descobrir que já não se aplicam mais. É por isso que não leio livros de auto-ajuda. Por isso odeio aqueles video blogs em que um fulano mistura narcisismo com um monte de porcarias que não “fazem o menor sentido” e arrumam um jeito brilhante de se achar muito inteligentes. O Felipe Neto é uma das poucas coisas hoje em dia que conseguem me irritar depois de uma boa manhã de surf, quando sento na frente da TV com uma travessa de comida japonesa. Caras como ele me fazem pensar em não escrever mais uma linha sequer. Nada pessoal, camarada, mas certas emoções são difíceis de serem controladas e, honestamente, acho você um babaca. A única coisa que realmente me impressiona nesse tipo de gente é a capacidade de transformar tanta babaquice em notoriedade, fama e até dinheiro. Não sei se isso é uma qualidade em si. Talvez, seja exatamente reflexo da falta de qualidade da audiência.

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Vidas virtuais

3 10 2011

Ele está quase sempre muito mais disposto a se defender. Passou a tarde toda ensaiando um milhão de frases feitas. O caminho certo para mostrar alguém que não é. O alterego, a casca, o avatar. A sua força é construída sobre um perfil atraente no Facebook e algumas dúzias de corações lascerados. A socialização do fracasso pessoal, a personificação da perda, o caos funcional das suas relações interpessoais. Dá para ser melhor…e o photoshop ajuda. Resta o consolo de uma vida virtual.

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As mulheres e a doutrina

5 05 2011

Adão escolheu a costela. Talvez tenha sido egoísta demais para abrir mão de uma parte mais funcional, um pé, um braço, quem sabe? O fato é que ainda pagamos caro a conta de toda uma história em que a sociedade patriarcal e machista relegou à mulher o segundo plano, o resto, a sobra, a costela. Elas cresceram e hoje são muito mais do que mães, donas de casa e esposas recatadas. Os anos 60 vieram e com eles a catarse. As mulheres descobriram sua sexualidade, descobriram a política, novas formas de comportamento e expressão. Queimaram muito mais que uma dúzia de sutiãs e fizeram uma enorme fogueira, tão grande quanto aquela em que os cristãos queimavam suas bruxas. Atiraram nossas certezas, uma a uma, sem piedade. Nos deixaram feito bezerros desmamados, no momento em que decidiram que não queriam desempenhar o papel de nossas mães. Que não queriam ficar nos bastidores para arrumar a bagunça que criamos com nosso método unilateral e simplista de resolver nossas pendências. Ficamos órfãos. Bem para além do pecado original, serpentes e maçãs, elas nos deixaram sozinhos com nossa insuficiência de informações para entendê-las e falta de habilidade para acompanhá-las.

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